Vocês já receberam um "toque" de luz alta do motorista que vem em sentido oposto, avisando que lá na frente você vai encontrar uma blitz policial?
Pois é, o brasileiro é tão vocacionado em trapacear a lei que faz isso mesmo quando não vai obter vantagem nenhuma. Ele pisca a luz para avisar a quem vai que lá atras viu uma blitz.
A rigor, o ato pressupõe uma recompensa, ainda que nem sempre se esteja consciente disso: piscar a luz alta para um desconhecido avisando que há uma blitz ajuda a fortalecer um ambiente de cooperação entre os motoristas, o que, em tese, pode favorecer a todos.
Mas, como já está mais do que batido e surrado, a burrice do brasileiro, maior mesmo do que sua compulsão por transgredir regras, não lhe permite ver que, no varejo, esses atos podem até beneficiar, mas no atacado o resultado é um caldo de ilegalidade que cobra preços altos. O mais esperto ganha, portanto todos devem ser espertos, ainda que essa esperteza seja apenas uma face da essência estúpida, pois onde todos agem como espertos ninguém na verdade o é.
Sociologuês de boteco à parte, o brasileiro é indiscutivelmente mezzo pilantra mezzo burro.
Rêmulo.
Monday, August 27, 2007
Thursday, August 23, 2007
Orgulho de ser brasileiro
Pergunte a um brasileiro do quê ele mais se orgulha no seu país. Invariavelmente, a lista conterá, próxima do topo, a seguinte resposta: "as belezas naturais". Ou, para ser mais exato: "as beleza natural", ou ainda "as beleza naturais", ou algo próximo do jeito molusco de se falar.
Ora, o maior motivo de orgulho do brasileiro, vejam só, é algo que existiria mesmo se aqui não existissem brasileiros.
Santos Dumont passaria ao largo das respostas, porque não faz parte do imaginário brasileiro. Aquele que cria, que se destaca individualmente, é logo posto para fora. E nem precisava: Dumont era mais francês do que brasileiro. Talvez isso até tenha contribuído para seu sucesso como aeronauta. Sabe-se lá se não faltaria pista e o 14-Bis ia acabar se esborrachando num prédio, caso tivesse feito sua primeira decolagem aqui no Brasil.
Mas, voltando à pergunta original: o alemão há de responder: nossa música clássica; o francês dirá: o estado laico; o norte-americano dirá: foguetes tripulados, uma carrada de prêmios nobéis científicos; o brasileiro: a natureza.
Sim a natureza. Mas só por enquanto. Um dia tudo estará soterrado por papéis de bala, copinhos de plástico e panfleto de propaganda do "Rei do Platô, aquele que recupera seu disco de embreagem, venha tomar um cafezinho conosco".
E será preciso esclarecer se, quando se fala de praia bonita, o arrastão, invenção nossa, ó glória!, ó glória!, está ou não incluído no pacote.
Rêmulo
Ora, o maior motivo de orgulho do brasileiro, vejam só, é algo que existiria mesmo se aqui não existissem brasileiros.
Santos Dumont passaria ao largo das respostas, porque não faz parte do imaginário brasileiro. Aquele que cria, que se destaca individualmente, é logo posto para fora. E nem precisava: Dumont era mais francês do que brasileiro. Talvez isso até tenha contribuído para seu sucesso como aeronauta. Sabe-se lá se não faltaria pista e o 14-Bis ia acabar se esborrachando num prédio, caso tivesse feito sua primeira decolagem aqui no Brasil.
Mas, voltando à pergunta original: o alemão há de responder: nossa música clássica; o francês dirá: o estado laico; o norte-americano dirá: foguetes tripulados, uma carrada de prêmios nobéis científicos; o brasileiro: a natureza.
Sim a natureza. Mas só por enquanto. Um dia tudo estará soterrado por papéis de bala, copinhos de plástico e panfleto de propaganda do "Rei do Platô, aquele que recupera seu disco de embreagem, venha tomar um cafezinho conosco".
E será preciso esclarecer se, quando se fala de praia bonita, o arrastão, invenção nossa, ó glória!, ó glória!, está ou não incluído no pacote.
Rêmulo
Teimosia bogorodó
A teimosia em si não é um mal. É boa quando é sinônimo de persistência, perseverança, obstinação, tudo voltado ao aprimoramento do indivíduo e cebolinhas e chuchus.
Mas há a teimosia hamsteriana, burtsimpsoniana. Precisa dizer que tipo de teimosia está ligada ao comportamento brasileiro?
Nas eleições, por exemplo, o povo insiste no voto válido, caindo no embuste de que é votando que se aprende. Balela.
Mas a maior vítima da teimosia brasileira é o presidente FHC. O sociólogo de esquerda é obrigado a iniciar todas as palestras que faz explicando que não aceita o Estado mínimo, que acha que o Estado deve estar sempre próximo do cidadão, que deve ajudá-lo sempre e que isso não sai de graça, sai caro, por isso vai cobrar um preço alto, antes mesmo de perguntar se você quer ser ajudado e outros absurdos mais. Ele diz isso. Ele, FHC. E não só diz. Ele escreve isso. Lá pela página 500 do seu livro "A Arte da Política", no início do capítulo, ele diz "eu nunca defendi o Estado mínimo".
Em entrevistas ele se diz um homem pragmático, e somente por isso fez as privatizações. ele não concorda, em tese, com as privatizações. Mas era preciso fazer. Privatizou as estatais que não funcionavam. Ou seja, se funcionassem, não privatizaria. Ele diz isso.
Não há um brasileiro minimamente informado que desconheça o fato numérico, real, objetivo, de que o governo FHC elevou a carga tributária de 25% do PIB para 34%. Eu pergunto: onde esse povo vê liberalismo econômico aí?
Mas o brasileiro é teimoso. Se ele diz que FHC queria acabar com as mamatas, então é porque queria e pronto. Deixa quieto. Convém não atiçar esse povo estranho.
Rêmulo
Mas há a teimosia hamsteriana, burtsimpsoniana. Precisa dizer que tipo de teimosia está ligada ao comportamento brasileiro?
Nas eleições, por exemplo, o povo insiste no voto válido, caindo no embuste de que é votando que se aprende. Balela.
Mas a maior vítima da teimosia brasileira é o presidente FHC. O sociólogo de esquerda é obrigado a iniciar todas as palestras que faz explicando que não aceita o Estado mínimo, que acha que o Estado deve estar sempre próximo do cidadão, que deve ajudá-lo sempre e que isso não sai de graça, sai caro, por isso vai cobrar um preço alto, antes mesmo de perguntar se você quer ser ajudado e outros absurdos mais. Ele diz isso. Ele, FHC. E não só diz. Ele escreve isso. Lá pela página 500 do seu livro "A Arte da Política", no início do capítulo, ele diz "eu nunca defendi o Estado mínimo".
Em entrevistas ele se diz um homem pragmático, e somente por isso fez as privatizações. ele não concorda, em tese, com as privatizações. Mas era preciso fazer. Privatizou as estatais que não funcionavam. Ou seja, se funcionassem, não privatizaria. Ele diz isso.
Não há um brasileiro minimamente informado que desconheça o fato numérico, real, objetivo, de que o governo FHC elevou a carga tributária de 25% do PIB para 34%. Eu pergunto: onde esse povo vê liberalismo econômico aí?
Mas o brasileiro é teimoso. Se ele diz que FHC queria acabar com as mamatas, então é porque queria e pronto. Deixa quieto. Convém não atiçar esse povo estranho.
Rêmulo
A maior invenção humana
Fato um: a mais importate invenção humana é o dinheiro. Por uma razão muito simples: ele compra todas as outras invenções.
Fato dois: em países de alma socialista, como o Brasil e seus hermanos latinos americanos, o dinheiro é mal visto. Quem disser que gosta de dinheiro é porco capitalista. Não adianta dizer que esse dinheiro foi ganho através de esforço individual. Você será um inimigo do povo. Dane-se a meritocracia e viva a preguiça. Paguemos ao Estado para tomar de conta de nossas crianças, eu estou muito ocupado vendo o desfile na Marquês de Sapucaí.
Misturemos fato um e fato dois.
Se o capitalismo contém distorções, se há concentração de renda, truste, monopólios, implantemos um Estado socialista. Mas isso não seria o mesmo que vender o sofá para evitar que o mancebo boline a donzela? Se não sabem como matar o formigueiro sem perder a colheita, baixe-se a bola, adote-se uma postura humilde, e aprenda com quem sabe fazer as coisas sem abrir mão de oferecer a todos a maior invenção do homem: o dinheiro. Até onde sei há países ricos, capitalistas e razoavelmente justos com seus cidadãos. Ah! mas humildade não é algo que cole fácil na alma de nossa gente balacobaco, ziriguidum, telecoteco, afinal somos o povo eleito, o mundo ainda há de se curvar aos pés do grandes deus tropical, ou então vai levar com o tacape na cabeça.
Tão mais simples (ah, mas aí é pedir que um povo afeiçoado às artes superiores tais como futebol e capoeira desça alguns degraus da sofisticação!) seria atacar as distorções do capitalismo. Hmmm... mas isso parece dar um trabalho...
Mas divago, e muito. A impressão que fica depois de tanto tentar compreender o fenômeno brasileiro (quanta pompa fazer parte do rol dos fenômenos!) é a de que o brasileiro gosta de dinheiro, mas odeia o capitalismo. É meio esquizofrênico, pois doa seu dinheiro ao Estado e depois quer entrar lá e roubar tudo. Mas não só lá.
Rêmulo
Fato dois: em países de alma socialista, como o Brasil e seus hermanos latinos americanos, o dinheiro é mal visto. Quem disser que gosta de dinheiro é porco capitalista. Não adianta dizer que esse dinheiro foi ganho através de esforço individual. Você será um inimigo do povo. Dane-se a meritocracia e viva a preguiça. Paguemos ao Estado para tomar de conta de nossas crianças, eu estou muito ocupado vendo o desfile na Marquês de Sapucaí.
Misturemos fato um e fato dois.
Se o capitalismo contém distorções, se há concentração de renda, truste, monopólios, implantemos um Estado socialista. Mas isso não seria o mesmo que vender o sofá para evitar que o mancebo boline a donzela? Se não sabem como matar o formigueiro sem perder a colheita, baixe-se a bola, adote-se uma postura humilde, e aprenda com quem sabe fazer as coisas sem abrir mão de oferecer a todos a maior invenção do homem: o dinheiro. Até onde sei há países ricos, capitalistas e razoavelmente justos com seus cidadãos. Ah! mas humildade não é algo que cole fácil na alma de nossa gente balacobaco, ziriguidum, telecoteco, afinal somos o povo eleito, o mundo ainda há de se curvar aos pés do grandes deus tropical, ou então vai levar com o tacape na cabeça.
Tão mais simples (ah, mas aí é pedir que um povo afeiçoado às artes superiores tais como futebol e capoeira desça alguns degraus da sofisticação!) seria atacar as distorções do capitalismo. Hmmm... mas isso parece dar um trabalho...
Mas divago, e muito. A impressão que fica depois de tanto tentar compreender o fenômeno brasileiro (quanta pompa fazer parte do rol dos fenômenos!) é a de que o brasileiro gosta de dinheiro, mas odeia o capitalismo. É meio esquizofrênico, pois doa seu dinheiro ao Estado e depois quer entrar lá e roubar tudo. Mas não só lá.
Rêmulo
Mitos
1. O povo brasileiro é o mais pacífico do mundo
2. O povo brasileiro é o mais acolhedor do mundo
3. O povo brasileiro é trabalhador
4. O povo brasileiro é honesto
5. A comida do Brasil é a melhor do mundo
6. As praias do Brasil são as mais belas do mundo
7. O Brasil tem o melhor clima do mundo
8. A culpa do Brasil não ser melhor é dos US
9. O problema do Brasil são os políticos corruptos
10. No Brasil as pessoas são mais calorosas
11. Português é a língua mais bonita do mundo
12. O brasileiro se dá bem com todo mundo
Pra ficar só com 12...
Romo
2. O povo brasileiro é o mais acolhedor do mundo
3. O povo brasileiro é trabalhador
4. O povo brasileiro é honesto
5. A comida do Brasil é a melhor do mundo
6. As praias do Brasil são as mais belas do mundo
7. O Brasil tem o melhor clima do mundo
8. A culpa do Brasil não ser melhor é dos US
9. O problema do Brasil são os políticos corruptos
10. No Brasil as pessoas são mais calorosas
11. Português é a língua mais bonita do mundo
12. O brasileiro se dá bem com todo mundo
Pra ficar só com 12...
Romo
Deus e o Brasil
Brasileiro é um povo engraçado. Melhor dizendo, ridículo. Acredita mesmo que é o povo escolhido por Deus. Ora, se Deus é Brasileiro, já se mandou de lá e naturalizou-se Sueco.
Menos Brasil
Sempre que eu escuto essa de Mais Brasil eu fico aterrorizado. Já pensou um mundo com "mais Brasil". O mundo precisa é de menos Brasil. O mundo tá se abrasileirando a passos largos. Precisa desintoxicar isso. Menos Brasil, já!
É que nem o "sou brasileiro e não desisto nunca". Percebe-se. Meu conselho: desista. Mas desista logo. Abandone essa brasileiralidade. Faça um favor ao mundo e a você mesmo. Seja o menos brasileiro possível.
Romo
É que nem o "sou brasileiro e não desisto nunca". Percebe-se. Meu conselho: desista. Mas desista logo. Abandone essa brasileiralidade. Faça um favor ao mundo e a você mesmo. Seja o menos brasileiro possível.
Romo
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